Segunda-feira, 18 de Agosto de 2008

UMA BOA DICA DE LEITURA DE TIMÓTEO CARRIKER

Por que o cristianismo faz sentido

Timóteo Carriker


Não é exagero. Tom Wright é simplesmente o meu autor favorito. Tenho mais de vinte livros dele e li todos. Por eles, impressionei-me profundamente, tanto em termos de aprendizagem intelectual quanto em termos de intensificar a minha devoção a Jesus Cristo e confiança na Palavra de Deus. Suas credenciais não deixam ninguém lhe colocar defeito: chamado ao ministério aos 8 anos, professor de Novo Testamento durante anos na escola mais prestigiosa do mundo, a Universidade de Oxford, na Inglaterra, bispo de Durham, o maior estudioso do Novo Testamento da atualidade e homem de fé com uma missão de transmiti-la com clareza. É difícil recomendar um livro deste autor sem avisar o leitor da jóia que tem em mãos. Agora, ao livro. Simplesmente Cristão é simplesmente incrível. O maior estudioso do Novo Testamento condensa, sintetiza e comunica com clareza o conteúdo de uma vida de estudo e dos seus mais de quarenta livros. Dizem, e eu concordo com entusiasmo, que este é o livro que substituirá o clássico da apologética cristã de C. S. Lewis, “Cristianismo Puro e Simples” (Martins Fontes), publicado originalmente em 1952. Embora os livros de Lewis e Wright tenham o mesmo propósito -- esclarecer os fundamentos da fé cristã --, Simplesmente Cristão adota uma estratégia diferente, levando em conta o leitor pós-moderno.

Na primeira parte, Wright começa com uma série de perguntas comuns a toda a humanidade:

Por que as pessoas anseiam pela justiça? Por que temos sede de espiritualidade? Por que desejamos relacionamentos? Por que a beleza não nos satisfaz completamente? E responde: Porque somos seres humanos criados por Deus e para Deus. Porque somos filhos que esperam pelo nosso Pai.

Com estas perguntas em mente, na segunda parte o autor nos leva numa jornada pela história da Bíblia ao encontro dos temas Deus, Israel, a expectativa do reino de Deus, Jesus, o Espírito e a vida pelo Espírito. É um resumo fantástico e profundo!

Finalmente, na terceira parte o autor apresenta a sua compreensão da vida humana debaixo do senhorio de Jesus, uma vida vivida no aqui e agora, solidária com a transformação do mundo em que vivemos, um mundo já em processo de transformação pela ação de Deus na história humana por meio da morte e ressurreição de Jesus.

O autor insiste que a fé cristã se baseia na história, e não em fábulas, isto é, que Jesus viveu, morreu e ressuscitou, e que a ressurreição é o evento central na recriação por Deus do nosso mundo caído. Insiste que os cristãos são participantes ativos no desdrobramento futuro do plano de Deus, cada um com o seu papel específico. Insiste na existência de um mundo espiritual que se cruza com o mundo histórico por meio do culto, da oração, da leitura da Bíblia e dos sacramentos. Como cristãos, somos chamados para ser lugares onde estes dois mundos se cruzam, onde a luz de Jesus brilha. E Wright enfatiza o lugar essencial do perdão na vida cristã, quando Deus perdoa o nosso pecado e nós perdoamos uns aos outros, como a oração do Pai-Nosso ensina.

Simplesmente Cristão comunica tudo isso sem o uso de chavões pouco conhecidos pelos não-cristãos. Não conheço outro autor que consiga expressar de modo tão claro, profundo e belo a verdade da fé cristã.

• Timóteo Carriker é autor de Trabalho, Descanso e Dinheiro (esgotado) e A Visão Missionária na Bíblia (Editora Ultimato).


Fonte: Ultimato

PRECIOSA DEFINIÇÃO DE MISSÃO

"(...) associar a morte expiatória de Jesus à sua ressurreição, o saber teológico à simplicidade cristã, a fé às obras, o anúncio do evangelho à ação social, a oração à ação, a conversão à santidade de vida, os dons do Espírito ao fruto do Espírito, o suor de hoje à glória por vir"

Élben César e sua preciosa definição da missão da revista Ultimato

CONHEÇA A MELHOR REVISTA EVANGÉLICA BRASILEIRA

Confira a seguir a entrevista dada por Elben César ao jornal Tribuna Livre (Viçosa, MG) por ocasião do “Ultimato 40 anos — Encontro de Amigos”:

1. Como surgiu a idéia de lançar a revista Ultimato?
Elben César — Após tomar conhecimento da história dos primeiros periódicos presbiterianos brasileiros, cujo objetivo principal era tornar as boas novas da salvação em Cristo conhecidas nas regiões metropolitanas do país, senti um forte desejo de fazer a mesma coisa. Isso aconteceu em meados de 1956, na cidade de São Paulo. Um ano e meio depois, em janeiro de 1968, em Barbacena, lançamos o primeiro número de Ultimato, inicialmente um tablóide de oito páginas.

2. Qual a sua abrangência de circulação na época do lançamento e hoje?
EC — Para tornar o jornal conhecido, a edição nº 1 teve uma tiragem de 5 mil exemplares. No final de dezembro de 1968, tínhamos 1.464 assinaturas pagas. Dois assinantes fizeram questão de pagar até o ano 2000, mostrando sua confiança no periódico. Àquela época, Ultimato já havia penetrado nos Estados de Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e outros. De alguns anos para cá, a tiragem da revista é de 35 mil exemplares, que vão para todo o Brasil e alguns países do exterior. Temos leitores de praticamente todas as denominações protestantes. A revista é muito difundida no meio católico (bispos, paróquias, padres casados etc.) e no meio secular. Não poucos leitores (30%) recebem a revista como cortesia.

3. Qual o perfil do leitor de Ultimato?
EC — Em pesquisa realizada em 1999, constatou-se que, quanto à ligação com a igreja, 95% dos leitores de Ultimato estão formalmente ligados a uma igreja e destes 67% exercem cargos na igreja. Quanto à posse de Bíblia, 1% dos leitores declararam ter apenas uma Bíblia em casa. Dezessete por cento disseram ter dois a três exemplares da Bíblia, enquanto 81% disseram ter mais de três. Quanto aos hábitos de leitura, 3% lêem um livro por ano, enquanto 19% lêem de dois a três. Já a maioria (75%) declarou ler mais de três livros por ano. Quanto ao gênero, os leitores se dividem em 31% de mulheres e 69% de homens. A maioria (77%) tem mais de 31 anos, enquanto 23% têm 30 anos ou menos. Quanto à escolaridade, 6% dos leitores concluíram o ensino fundamental, 33% concluíram o ensino médio e 59% concluíram o ensino superior.

4. O senhor citaria algum momento mais marcante na trajetória da revista?
EC — O momento mais marcante aconteceu na semana passada, por ocasião da comemoração do 40º aniversário da revista, quando recebemos a visita de mais de trezentos assinantes de todas as regiões do Brasil. Realizamos várias mesas-redondas sobre temas específicos e atuais, como, por exemplo, a participação dos evangélicos no cenário político brasileiro, numa sociedade cada vez mais descrente, mais pluralista e mais midiática. Os preletores foram os colunistas fixos da revista e mais alguns líderes, que vieram por conta própria de Fortaleza, Recife, Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e Curitiba. Entre eles, estavam o bispo Robinson Cavalcanti (da Diocese Anglicana de Recife), o pastor luterano Valdir Steuernagel (do Centro de Pastoral e Missão, em Curitiba), o sociólogo presbiteriano Paul Freston (da UNICAMP) e o pastor Ricardo Gondim (da Assembléia de Deus Betesda, em São Paulo). O evento foi surpreendente em todos os sentidos.

5. Como Ultimato é mantida financeiramente?
EC — Ultimato é uma empresa familiar que sobrevive da venda de assinaturas, de livros e de espaços publicitários. Consideramo-nos mais um ministério do que uma empresa. A Editora Ultimato já lançou mais de cem títulos, a maior parte de autores brasileiros. O mais recente é Cartas a Ultimato, que reúne por assunto cerca de setecentas das milhares de cartas publicadas pela revista nestes 40 anos. Em parceria com quarenta organizações que, juntas, atendem cerca de dois milhões de crianças em situação de risco, publicamos também a revista Mãos Dadas, direcionada a educadores sociais cristãos.

6. Qual é o objetivo de Ultimato?
EC — Ultimato pretende associar a morte expiatória de Jesus à sua ressurreição, o saber teológico à simplicidade cristã, a fé às obras, o anúncio do evangelho à ação social, a oração à ação, a conversão à santidade de vida, os dons do Espírito ao fruto do Espírito, o suor de hoje à glória por vir.


Fonte: Ultimato

CALVINO, IGREJA E SOCIEDADE

Calvino, a Igreja, e a Sociedade
por Antonio Carlos Barro


Todos nós que aceitamos a fé e crescemos debaixo da influência dos fundamentalistas e dispensacionalistas aprendemos desde cedo que religião e política não se misturam. A tarefa da igreja, fomos ensinados, é a de ganhar almas para Cristo. Fomos doutrinados a deixar as coisas "políticas" de lado, a orar pelo governo e a não se envolver com nada que é secular, pois isto era tarefa para os não-crentes. Milhares de nós ainda estamos com as mentes bloqueadas a respeito da política; a nossa mente se torna culpada quando falamos de coisas que não são "espirituais". Ainda temos um medo profundo dos rótulos que as pessoas "espirituais" irão nos colocar quando pregamos um sermão onde a justiça é destacada, onde o direito do pobre é ressaltado. Os rotuladores estão sempre a nossa espreita para ver se ainda estamos debaixo do conceito que eles determinaram ser o correto para um bom crente. Com medo dos caçadores de fantasmas e de perder privilégios adquiridos, são bem poucos os que têm coragem de quebrar com aquilo que foi estabelecido e que se tornou conveniente com o passar dos tempos.

Agradável surpresa é descobrir que figuras históricas (que muitos se dizem seguidores) nos legaram um passado rico a respeito do papel da igreja na sociedade. Este passado também está sendo convenientemente esquecido, porque não é bom mexer com a casa de marimbondos.

Uma dessas figuras históricas é o reformador João Calvino, cuja bibliografia é por demais conhecida. Quando pensamos em Calvino, o que nos vem a mente são os seus ensinos teológicos, tais como a predestinação, que produziram e produzem muitos debates. Todavia, são bem poucos os que se lembram do impacto que Calvino produziu na sociedade secular da sua época. W. Fred Graham em seu livro The Constructive Revolutionary: John Calvin and His Socio-Economic Impact (John Knox Press, 1978), nos lembra que segundo Calvino:

1. A igreja precisa orar pelas autoridades políticas. Comentando em 1 Tm 2:2, ele afirma que nós precisamos não somente obedecer a lei e os governantes, mas também em nossas orações suplicar pela salvação deles. De acordo com Graham, Calvino era terminantemente contra qualquer rebelião armada contra o governo.

2. A igreja precisa encorajar o estado a defender os pobres e os fracos contra os ricos e poderosos. Este ponto é muito importante para nós nos dias atuais porque coloca a igreja contra toda injustiça econômica e torna claro que a pregação do evangelho está ligada com a demanda para uma justiça social. Comentando em Salmos 82:3 ele afirma: "...um justo e bem equilibrado governo será distinguido por manter os direitos dos pobres e dos aflitos". Calvino não era um pastor que se impressionava com a moralidade superficial dos ricos ou daqueles em posições respeitáveis. A sua crítica a estas pessoas levou a igreja de Genebra a batalhar contra os juros elevados, a lutar por oportunidades de empregos e tudo aquilo que era pertinente a uma sociedade secular mais humana.

3. A igreja deve manter o seu status ao chamar as autoridades políticas para ajudar na promoção da verdadeira religião e até mesmo para reforçar a disciplina eclesiástica. Calvino estava pensando aqui nos reis do Antigo Testamento que ajudaram a restaurar a religião em dias de grande corrupção. Ele também refletia o pensamento da sua época, a idéia da respublica christiana.

Pensando na atual conjuntura brasileira, seria uma tragédia pedir que o governo ajude a igreja a promover a verdadeira religião, mas até que seria interessante ver algum órgão governamental pedindo prestação de contas de muitos grupos e igrejas que passam a maior parte do tempo vendendo todo o tipo de quinquilharias em nome do evangelho.

4. A igreja deve admoestar as autoridades quando elas são culpadas. Segundo o que Calvino comenta em Amós 8:4, os governantes sempre incorrem em erros, por essa razão os profetas se dirigiam a eles com grande vigor. Segundo ele, o povo comum erra e muitas vezes erra por causa do exemplo dos outros. Todavia, aqueles em posição de liderança são os que pervertem todas as leis e a igualdade. Assim sendo, os ministros, que são "as bocas de Deus" devem falar contra a injustiça, contra a negligência do dever e contra aqueles que agem como se Deus não existisse.

Graham conclui dizendo: "Para Calvino existia uma inegável separação entre os dois poderes. Mas desde que os dois estão debaixo do Senhorio de Cristo, a tarefa da igreja foi e continua sendo uma tarefa ativa em direção ao estado".

Fica para todos aqueles que pertencem à família de Deus, o desafio de refletir e agir sobre o dever individual de cada um na sociedade, mas muito mais importante ainda, fica o urgente convite para que igreja de Jesus Cristo não se esconda nos tempos e dos tempos em que vivemos. A igreja brasileira é desafiada a fazer a história, a exemplo da igreja de Genebra, e não a ser somente empurrada pela história.


Fonte: Blog do Christopher Marques

O LEGADO DE CALVINO

A Importância de João Calvino na Teologia e no Pensamento Cristão... Um Estudo Propedêutico...

por Ricardo Quadros Gouvêa


Introdução
Seria necessário um texto muito mais longo para podermos tratar convenientemente do tema proposto e expor, ainda que de forma superficial, todo o conteúdo, influência e abrangência do pensamento de Calvino. Nosso objetivo neste prefácio é, portanto, bem mais humilde: queremos apenas fazer algumas observações capitais e dessa forma estimular os ouvintes a ler e estudar Calvino.

I. Solus Inter Theologos est Calvinus – O Maior dos Teólogos

Dizer que Calvino foi um grande teólogo soa como um eufemismo tímido e impróprio. É bastante provável que Calvino tenha sido o maior e o principal teólogo cristão de todos os tempos.(1) Tivesse toda a obra de Calvino se perdido, e nos restassem apenas as suas cartas, ainda assim ele teria de ser considerado um grande teólogo.(2) Não é exagero afirmar que a história da teologia pode ser dividida em: “pré-calviniana” e “pós-calviniana”. O calvinismo não é, portanto, um movimento teológico e filosófico passageiro. É impossível fazer teologia hoje de modo responsável sem interagir com o legado de Calvino que, além de ser perene, é vasto, e possui implicações que vão muito além do âmbito da teologia.

Calvino foi um exegeta notável, tomando-se o mais importante modelo da aplicação do método histórico-gramatical (i.e., histórico-sintático), criando assim um novo paradigma para toda a hermenêutica bíblica protestante subseqüente. Sua atitude de profundo respeito para com as Escrituras fez de Calvino um comentarista extremamente cuidadoso e confiável, e um crítico esmagador das práticas exegéticas medievais que chafurdavam-se em alegorizações extravagantes e analogias ambíguas. Calvino insistia ainda na unidade e harmonia do ensino bíblico, evitando assim o erro tão comum em nossos dias de interpretar um referido texto alienado de seu contexto canônico-teológico. Para Calvino, o teólogo é antes de tudo um discípulo e um servo das Escrituras. A obediência, dizia ele, é a fonte não apenas de uma fé absolutamente perfeita e completa mas de todo conhecimento correto de Deus.(3)

A força do pensamento de Calvino não está na sua originalidade mas sim na sua capacidade de expressar de modo claro, correto e profundo o verdadeiro sentido das afirmações bíblicas.(4)

O fato de que tal forma de teologizar tenha levado Calvino a colocar no papel um sistema de pensamento que prima pela exaustiva completitude é um testemunho não só do seu talento como sistematizador de idéias mas da natureza sistemática e completa do próprio ensino bíblico. Para Calvino e os seus seguidores, a Bíblia não é uma coleção de pensamentos contradizentes, um depósito variado de pensamentos e experiências religiosas; antes, ela é a revelação divina coerente e compreensível que aponta para a auto-revelação de Deus em Jesus Cristo.(5)

Dentre as muitas obras que João Calvino escreveu, destaca-se a sua obra-prima, um compêndio sistemático da doutrina cristã conhecido pelo nome de As Institutas. Em importância, influência e qualidade, esta obra não possui rival na história da teologia. Ela poderia ser comparada, talvez, à Cidade de Deus de Agostinho, ou à Summa de Tomás de Aquino, possivelmente à Dogmática Eclesiástica de Karl Barth. Entretanto, a todas estas obras a obra-prima de Calvino supera. As Institutas é um livro que nos fornece não apenas o melhor compêndio de teologia cristã jamais escrito mas também a base de uma cosmovisão cristã cujas abrangência e consistência são sem igual na história da fé cristã.

II. Prompte et Sincere in Opere Domini – O Legado de Calvino

Adorado e odiado por muitos, Calvino é uma figura não só controversa mas ainda muito desconhecida e mal-compreendida. Até mesmo nas melhores enciclopédias freqüentemente encontramos noções errôneas sobre a vida e a obra de Calvino, erros estes que se perpetuam e gradualmente transformam-se em mitos persistentes que não desaparecem nem mesmo ante à mais renitente produção acadêmica especializada que se esforça em desfazer os mal-entendidos. Insiste-se em apresentar Calvino como um radical intolerante e desumano que teria condenado hereges à fogueira e com prazer acendido a pira. Mas não se pode entender uma figura histórica a parte do contexto histórico ao qual ela pertence. A pretensa crueldade de Calvino empalidece diante dos horrores cometidos na época por outros grupos, inclusive a Igreja Católica Romana. Diz-se de Calvino que era um homem sem humor, sem noções estéticas, inimigo da alegria e do prazer. Isto está longe de ser verdade. A ética calvinista resulta do delicado equilíbrio entre liberdade evangélica e disciplina eclesiástica, que Calvino considerava ser a terceira marca da verdadeira igreja. Calvino advogava uma moralidade séria, mas não pode ser condenado pelos excessos de seus seguidores, pelo sabatarianismo e iconoclasticismo radicais de alguns puritanos britânicos, pela caça às bruxas da Nova Inglaterra, pelas selvagerias do capitalismo laissez-faire, ou pela política sul-africana do apartheid.

Na política, Calvino teria sido um déspota autoritário, o tirano de Genebra, que advogava a sujeição do estado à igreja. Voltaire motejou de Calvino chamando-o de “o papa dos protestantes,” mas o sóbrio Montesquieu, reconhecendo seu gênio, sugeriu que “os genebrinos deveriam tornar bendito o dia que Calvino nasceu”. A verdade é que sua autoridade em Genebra era mais poimênica que política. Calvino era um homem de sentimentos profundos e de grande misericórdia. Suas cartas o provam; sua perseverança em Genebra o prova; e até mesmo o infame incidente com Serveto, ao contrário do que alguns pensam, é um argumento indelével, não da sua inclemência e tirania, mas antes da sua misericórdia.

Calvino foi um patrono dos direitos humanos; lutou contra os abusos do poder em seu tempo e chegou até mesmo a lidar com o problema político-filosófico da desobediência civil e do direito de revolta. Em seu pensamento ele antecipou os fundamentos da moderna forma de governo republicano, tomou-se um dos pais da democracia moderna, e contribuiu decisivamente para a compreensão cristã do relacionamento entre lei natural e lei positiva. Inteiramente em sintonia com os movimentos políticos e sociais de seu tempo, ele entendeu que o emergir dos estados nacionais europeus, o desenvolvimento do comércio e da classe burguesa, e a vasta expansão do mercado financeiro requeriam, por exemplo, uma revisão da proibição do empréstimo a juros, e percebeu que era necessária a formulação de uma nova ética do trabalho.

O impacto de Calvino no pensamento e na vida européia está bem documentado. O calvinismo tem sido, nos últimos cinco séculos, uma das principais forças moldadoras da cultura e da sociedade ocidental. Para início de conversa, a ciência moderna deve muito a Calvino. Ele encorajou o estudo científico da natureza enfatizando a ordem da natureza e a teleologia presente na mesma, disseminadas em toda a criação. Calvino explicitamente aprovou e incentivou a medicina e a astronomia, ao contrário de outros líderes religiosos de seu tempo. Na verdade, é provável que, não fosse o impulso do calvinismo na ciência inglesa, dificilmente teríamos chagado à física newtoniana tão cedo. A segunda grande contribuição de Calvino para o avanço da ciência foi o seu combate ao literalismo bíblico. Uma das inovações mais importantes da exegética de Calvino é justamente o conceito de acomodação, segundo o qual Deus ajustou sua palavra revelada às capacidades da mente e do coração humanos. Para ilustrar este ponto, Calvino utiliza a analogia do orador: um bom orador conhece as limitações de sua audiência e adapta a sua linguagem a ela. A revelação, ensina Calvino, implica necessariamente num ato de condescendência divina. Isso explica, por exemplo, os inúmeros casos de antropomorfismo no discurso bíblico sobre a pessoa de Deus. Também no caso dos relatos da criação em Gênesis, esta é a postura de Calvino, isto é, que tais relatos representam uma acomodação às habilidades cognitivas dos primeiros ouvintes e leitores .

Quanto à sua teologia, Calvino tem sido muitas vezes acusado injustamente de ter formulado noções doutrinárias que eram na verdade parte do ensino tradicional da igreja cristã por séculos. Insiste-se que inventou a doutrina da dupla predestinação, e até já se sugeriu que ninguém mandou mais pessoas para o inferno que Calvino. O freudiano Oskar Pfister sugeriu ser a doutrina da dupla predestinação um resultados de sua personalidade obsessiva-compulsiva, e outros têm sugerido ser ela fruto de suas irregularidades intestinais. Diz-se que era um fatalista, um determinista que eliminou em seu sistema o conceito de liberdade. Mas sua magistral teologia da oração demonstra que este não é o caso. De fato, não se pode negar que um dos pilares do pensamento de Calvino é o pressuposto da iniciativa e soberania divinas. Todas as formulações teológicas de Calvino emergem deste a priori. Mas diferentemente do que se pensa, não é a doutrina da predestinação que prepondera e governa a soteriologia de Calvino mas sim o grande mistério da união mística com Cristo (uma “henose” cristã) da qual, aliás, o Novo Testamento fala com metáforas de profunda intimidade, e que tem sido apontado como um dos temas centrais em Calvino, talvez até a viga mestra de todo o seu edifício teológico.

Diz-se ainda que Calvino foi um grande pessimista, e que formulou uma antropologia negativista, que acabou por, sem querer, esvaziar o conceito de fé de qualquer sentido. Na verdade, o ensino de Calvino é de um otimismo gritante e messianista, e sua antropologia filosófica, ao contrário do que se pensa, dá grande dignidade à condição humana, sugerindo inclusive que o verdadeiro processo de auto-conhecimento leva o indivíduo paralelamente ao conhecimento de Deus. (6)

Já os católicos e catolicizantes insistem que Calvino teria destituído o culto cristão de toda sua beleza ritualista, eliminando inclusive os sacramentos, tomando ainda a Ceia do Senhor em um memorial secundário e vazio de significado.(7) Tais afirmações falseiam descaradamente as convicções do reformador de Genebra.(8) Por outro lado, parcas são ainda as referências ao entusiasmo e as contribuições de Calvino para a educação, a sua revolucionária ética do trabalho, o seu apoio ao ecumenismo protestante, o seu humanismo cristão crítico e inteligente, a sua complexa filosofia germinal ainda tão pouco explorada.

Qual a razão para tantos mitos e incompreensões? E por que tantos aspectos ou facetas importantes da obra de Calvino ainda estão por ser abordadas? Em parte é mera ignorância, e em parte é fruto do intuito maquiavélico de silenciar a voz de um fantasma incômodo, de abrandar a força do pensamento de um revolucionário que um dia sacudiu um continente inteiro e que, se lhe for permitido, pode sacudir o mundo novamente.

III. Dei Notitiam et Nostri Res Esse Coniunctas – A Cosmovisão Calvinista

Qual é, então, a principal diferença entre o calvinismo e os outros movimentos cristãos protestantes e não-protestantes? É a maneira peculiar em que, no calvinismo, a fé cristã se relaciona com a cultura humana, a vida e o mundo que nos cerca. O calvinismo não é somente um sistema teológico completo em que as doutrinas estão tão profundamente interconectadas que ou se rejeitam todas ou se aceitam todas, mas também é uma completa biocosmovisão que determina para o calvinista o ponto de partida para toda sua reflexão e sua vida prática, que determina enfim as diretrizes pressuposicionais de qualquer área da vida e do pensamento humanos.(9) Calvino não visava em sua obra meramente uma reforma doutrinária e uma reforma da vida da igreja mas também a transformação de toda a cultura humana em nome de Jesus e para a glória de Deus. No calvinismo não há, portanto, dicotomismo entre cristianismo e cultura. Devido à compreensão calvinista da criação do cosmos, da universalidade da revelação de Deus na criação, e da organização cosmonômica da criação, o pensador calvinista não pode pensar em termos de uma distinção não-qualificada entre as esferas humana e divina de atuação. A soberania e iniciativa divinas englobam inclusive o curso da história e da cultura humanas que também se tomam veículos da revelação de Deus.

Entre os fundamentos da cosmovisão calvinista destacam-se o pensamento pressuposicional e antitético ante o pensamento apóstata, a heteronomia revelacional associada a pressupostos escriturísticos, a antropologia ptomática que inclui a afirmação da infinita diferença qualitativa entre o Criador e suas criaturas, dos efeitos noéticos do pecado e do sensus divinitatis, a escatologia palingenética que determina os rumos do pensamento sócio-político reformado, isso para citar apenas alguns dos principais fundamentos filosóficos que estão presentes em estado germinal ou latente na obra de Calvino.(10)

IV. Theologia Reformata ac Semper Reformanda - A Calviniana Hoje

Hoje estamos vivendo um tempo áureo dos estudos calvinianos. Há centros especializados no estudo do reformador espalhados por todo o mundo. Na década de 30 surgiu na Holanda a Sociedade por uma Filosofia Calvinista (Vereeniging voor Calvinistische Wijsbegeerte), uma iniciativa do filósofo holandês Herman Dooyeweerd, que iniciou a publicação do periódico Philosophia Reformata. (11) Esta sociedade possui hoje quase mil membros em todo o mundo e continua fazendo um trabalho sólido. Um dos mais renomados filósofos americanos da atualidade, Alvin Plantinga (Univ. de Notre Dame), é membro e já foi o presidente desta sociedade. O Congresso Internacional Permanente de Pesquisas Calvinianas não só organiza de tempo em tempo importantes simpósios como também patrocina congressos, colóquios e conferências regionais e publicações importantes como, por exemplo, a Ioannis Calvini Opera Omnia, e uma bibliografia internacional de estudos calvinianos. Grandes nomes têm aparecido e se destacado no meio acadêmico internacional como competentes especialistas em Calvino. Entre eles, James B. Torrance (Escócia), Alister E. McGrath (Inglaterra), Wilhelm H.Neuser (Alemanha), Richard Gamble (RUA), W. Stanford Reid (Canadá), Heiko A. Oberman (Alemanha e E.U.A.), Cornelis Augustijn (Holanda), Erik A.de Boer (África do Sul), Olivier Fatio (Suiça), Nobuo Watanabe (Japão), Alexandre Ganoczy (França), entre outros.

É de valia, creio eu, citar alguns dos temas que têm sido debatidos pelas principais autoridades em estudos calvinianos nos últimos vinte anos. Dividirei aqui os mesmos em três grupos: (a) questões biográficas e históricas, (b) questões teológicas, e (c) questões filosóficas.

(a) questões biográficas e históricas — a atual nova busca do Calvino histórico; a natureza da conversão de Calvino: súbita ou gradativa?; o relacionamento de Calvino com diversos contemporâneos seus, como Farel, Beza, Budé, D’Etaples, Lutero, Bucer, Viret, Castellío, etc.; a natureza do Consensus Tigurinus ou consenso de Zurich; etc.

(b)questões teológicas — era Calvino um teólogo pactuísta (i.e., federalista)? Qual é a relação entre o pensamento de Calvino e o da chamada escolástica protestante do século XVII?; a concepção calviniana do matrimônio; a teologia da oração de Calvino; as nuances teológicas dos tratados menores, dos catecismos e das cartas de Calvino; a relação entre o pensamento de Calvino e Agostinho; a origem histórica da teologia de Calvino, isto é, que movimentos mais influenciaram Calvino (a teologia de Scotus e Ockham, a devotio moderna medieval, o pensamento de alguns pré-reformadores; o pensamento de Lutero; o humanismo de Budé, Campanella, Erasmo, e outros, o platonismo renascentista de Marcilio Ficino, a teologia neoagostiniana de Bernardo de Clairvaux, Bonaventura ou Gregório de Rimini, etc.); as influências sobre Calvino nas áreas da exegese bíblica e da prédica; e assim por diante.

(c)questões filosóficas — a natureza dos princípios essenciais do pensamento calviniano: são eles teológicos ou filosóficos, e quais eram eles?; era Calvino um humanista?; a influência de Calvino no surgimento das democracias modernas e da economia capitalista; a filosofia da linguagem de Calvino, a filosofia da história de Calvino, a epistemologia de Calvino, estes são alguns dos temas que, entre outros, têm sido abordados com freqüência pelos chamados Calvin scholars, os “experts” em Caivino.

V. Conclusão

Resta-nos dizer apenas que há motivos de sobra para estudar Calvino, e salientar a necessidade premente de fazê-lo, pois o estudo aprofundado do pensamento de Calvino pode ser de grande valia em qualquer área do conhecimento humano, e as repercussões destas interdisciplinaridades ainda pouquíssimo exploradas podem causar uma genuína revolução nas ciências divinas e humanas que a Editora Novo Século tem patronado com interesse e seriedade.

Fonte:
Blog do Christopher Marques

MAIS UMA MEDALHA DE BRONZE EM PEQUIM

Parabéns a Fernanda Oliveira e Isabel Swan pela inédita medalha de bronze no iatismo feminino, classe 470.

A ORAÇÃO DO POSTO DE GASOLINA

Rezar em postos fez cair preço da gasolina, diz grupo dos EUA
Grupo evangélico vem orando pela redução dos preços desde abril em postos do país.

Um grupo evangélico de oração dos Estados Unidos está dizendo ser o responsável pela recente diminuição do preço da gasolina no país, depois de passar meses rezando em postos de combustível.

O grupo Pray at the Pump ("Oração na bomba de gasolina", em tradução livre), organizado pelo ativista evangélico Rocky Twyman, começou a se reunir para rezar pela queda dos preços dos combustíveis em abril.

Desde então, o preço da gasolina nos Estados Unidos caiu de mais de US$ 4 o galão (aproximadamente 3,79 litros) para US$ 3,8.

"Nós não temos ninguém para pedir ajuda, a não ser Deus", disse Twyman à BBC. "Nós temos que entregar esses problemas a Deus e não ao homem."
A primeira "peregrinação" a um posto de gasolina mobilizou membros de uma igreja adventista de Petworth, um subúrbio de Washington. Twyman liderou o grupo, levando-o a um posto Shell local.

Nos meses seguintes, Twyman liderou preces em postos em várias outras regiões do país.

"Nós estávamos em Huntsville, no Alabama", lembrou o ativista. "Nós terminamos de rezar. Imediatamente os donos saíram e mudaram o preço da gasolina. Eles abaixaram. Nós (também) tivemos um sucesso maravilhoso em St. Louis, Missouri."

Nesta semana, o Pray at the Pump voltou ao local da primeira oração para comemorar. Eles cantaram uma conhecida música religiosa dos Estados Unidos, We shall Overcome ("nós devemos superar", em tradução livre), mudando a letra dela, incluindo a frase we'll have lower gas prices ("nós teremos gasolina a preços baixos").

Hábitos mudados
Twyman revelou que ele e seus colegas admitem que mudaram seus hábitos como motoristas por causa da alta do combustível.

"Nós não acreditamos apenas em oração, porque acreditamos que ter fé sem fazer nada não tem efeito nenhum. Então, incentivamos as pessoas a dividir o mesmo carro e se organizar melhor, porque (a queda do preço) é uma combinação da fé com esses fatores."

Para o ativista, é possível abaixar ainda mais os preços. Por isso, vai continuar rezando.

"Nós apenas agradecemos a Deus por nos abençoar com pequenas vitórias e esperamos que venham coisas maiores."


Fonte: G1
Colaboração: Marcos Nunes

Domingo, 17 de Agosto de 2008

PARA REFLETIR (3)

”... nenhuma teologia é universal e perene – ou seja, igualmente válida em todos os lugares e todos os tempos”
Justo Gonzales em Introdução a Teologia Cristã, p. 45

PARA REFLETIR (2)

“... a verdadeira teologia cristã é teologia em comunidade”
Justo Gozales em Introdução a Teologia Cristã, p. 42

PARA REFLETIR (1)

“Não há santidade que não seja social”
John Wesley

UM DEBATE COM PROPÓSITOS

Os virtuais candidatos democrata e republicano à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama e John McCain, tentaram conquistar o voto dos evangélicos ao participar de um fórum religioso transmitido em televisão nacional.

O debate, mediado pelo pastor evangélico Rick Warren, marcou a primeiraaparição pública conjunta dos principais rivais na corrida pela Casa Branca desde o início da campanha eleitoral.

Durante o fórum, que durou cerca de duas horas, Obama e McCain falaram sobre suas crenças religiosas, sobre aborto, casamento e o fracasso moral pessoal e dos Estados Unidos.

O debate foi o último encontro entre os rivais antes das convenções de seus respectivos partidos, que acontecem dentro de poucas semanas e onde devem ser oficialmente nomeados como candidatos para as eleições presidenciais de novembro.

Depois das convenções, três outros debates estão agendados entre os candidatos dos partidos Democrata e Republicano.

Opiniões

O primeiro a falar foi Obama, que defendeu seu apoio pelo aborto e pelas uniões civis homossexuais, mas ressaltou que o casamento deve ser apenas entre um homem e uma mulher.

Já o republicano McCain, que é contra o aborto, demonstrou seu apoio pelo status do casamento.
“Serei um presidente pró-vida e meu mandato terá políticas pró-vida. Esse é meu compromisso com vocês”, disse o republicano.

No início da entrevista, Obama disse ao pastor que o principal fracasso moral do país havia sido a ajuda insuficiente que deu aos menos favorecidos.

Questionado sobre sua opinião a respeito do fracasso moral dos americanos, o republicano McCain disse que “talvez não tenhamos nos dedicado a causas maiores que nosso próprio interesse”.

Em uma aparente crítica ao atual presidente, George W. Bush, McCain afirmou que o governo deveria ter incentivado o serviço militar, a participação das pessoas em programas de paz e outras organizações voluntárias depois dos atentados de 11 de setembro, ao invés de fazer campanha por “ir às compras”.


Voto cristão

O Pastor Warren, que serviu de anfitrião e de entrevistador, é conhecido por ter construído uma das principais "macroigrejas" dos Estados Unidos, a paróquia de Saddleback, em Lake Forest, no sul da Califórnia, da qual fazem parte cerca de 20 mil fiéis.

Os cristãos conservadores formam cerca de 25% do eleitorado americano. A maioria apóia o Partido Republicano, mas não demonstrou grande entusiasmo pela campanha de McCain.

O republicano se identifica como Batista e fez um apelo forte aos conservadores sociais e cristãos evangélicos durante sua campanha.

No entanto, ele raramente fala sobre a fé. No início deste ano, McCain afirmou que “não tem vergonha sobre sua profunda fé em Deus”, mas que “obviamente, não tentava impor suas opiniões para os outros”.

Já o senador pelo estado do Illinois, Barack Obama, que se considera cristão, discutiu a religião durante toda a trajetória de sua campanha e vem tentando conquistar eleitores religiosos com participações em programas cristãos de rádio, blogs e outros eventos.

fonte:
BBC

Sábado, 16 de Agosto de 2008

A ORAÇÃO DE UMA PALAVRA SÓ

A oração de uma palavra só
A expressão da mais absoluta confiança está presente no momento da mais profunda solidão e senso de abandono e desamparo.

As pessoas que convivem comigo dificilmente me descreveriam como um homem de oração. Mas peço licença a Paulo, apóstolo, para usar suas palavras em minha defesa –“Ninguém me considere insensato! Ou então suportai-me como insensato, a fim de que também eu me possa gloriar um pouco. O que vou dizer, não o direi conforme o Senhor, mas como insensato, certo que estou de ter motivo de me gloriar”.

Sou um daqueles denunciados por William James, que ora simplesmente porque não consegue evitar a oração. Minha vida de oração não se explica por outra razão senão o mais profundo desespero. Durante muito tempo carreguei a culpa de orar por razões diversas – a busca da santidade, o amor ao Senhor (o famoso e piedoso “buscar a Deus por quem Deus é”) ou mesmo aquela intercessão generosa, solidária e compassiva. Mas encontrei consolo nas palavras de Thomas Merton: “A oração é uma expressão de quem somos”.

A oração nunca me fez sentido. Para falar a verdade, ainda não faz. Também não consigo compreender a mecânica ou dinâmica processual da oração. Jamais consegui me ajoelhar aos pés de um deus deliberativo, que recebe as petições e súplicas das mãos do “anjo protocolador” e as despacha à luz de critérios misteriosos. Não consigo imaginar um deus pensando se responde ou não à súplica de uma mãe no corredor do hospital ou considerando se atende ou não ao clamor de uma comunidade que pede chuva.

Alguém deve imaginar que Deus ouve as orações, avalia a questão e depois dá ordens aos seus anjos conforme sua perfeita vontade: “Gabriel, faça com que aquele advogado desista da compra do apartamento, pois decidi que vou deixar que o casal que orou esta manhã feche o negócio”; ou “Miguel, dê um jeito de aquele menino esquecer o agasalho e ter que voltar para buscar, porque a mãe dele está orando e eu vou poupá-lo do acidente que está para acontecer na esquina da escola”. Se o leitor acredita que as coisas de fato acontecem desta maneira, nada contra. Não tenho qualquer argumento para afirmar que Deus não faça ou não possa atender orações desse tipo. Respeito seu ponto de vista, até porque não duvido que você tenha inúmeras histórias de orações cujas respostas de Deus o levam a acreditar que as coisas funcionam assim mesmo.
Quando comecei a pensar nessas coisas, minha experiência de oração mudou muito, e para melhor. Tudo começou quando Jesus me ensinou a invocar a Deus usando a expressão Abba. Os historiadores, Joachim Jeremias por exemplo, afirmam que abba era a palavra do dialeto siro-ocidental aramaico que uma criança usava para se referir ao seu pai. O Talmud, comentário rabínico da Torah, diz que “quando uma criança saboreia o trigo, aprende a dizer abba e imma”, querendo dizer que “papai” e “mamãe” são as primeiras palavras de um pequeno recém-desmamado que está aprendendo a falar. Na verdade, a melhor tradução para abba seria “papa” ou mesmo “pa”, algo como o mero balbuciar, assim como para imma, seria “mama” ou simplesmente “ma”.

O fato é que abba era um termo infantil, anterior à construção conceitual, despido de significados culturais, ainda não elaborados na mente, mas perfeitamente compreensível ao coração. A criança que pronuncia abba ou imma não detém qualquer conceito de pai ou mãe, não sabe o significado de expressões como pessoa, identidade, individualidade. Ignora o que é família, casal, irmão, irmã – quanto mais conceitos abstratos como sociedade ou comunidade. Tudo quanto uma criança que pronuncia abba sabe é que existe apenas um a quem se refere assim. Diante de muitos braços estendidos em sua direção, a criança identifica quem são seu abba e sua imma. É como se, intuitivamente, pensasse assim: “Esse é meu abba, essa é minha imma; posso ir no seu colo ou lançar-me em seus braços. Ali estou suprida e segura”.

Joachim Jeremias relata que Jesus se dirigia a Deus “como uma criancinha fala a seu pai, com mesma simplicidade íntima, o mesmo abandono confiante”. Jeremias considerou este Abba “ipsissima vox de Jesus”, isto é, maneira própria e original de falar do Filho de Deus. Os apóstolos assim compreenderam, e Paulo vai dizer mais tarde que o clamor Abba é ipsissima vox dos filhos de Deus, adotados na comunhão do Espírito Santo.

Muito provavelmente, Abba é a palavra com que Jesus invoca Deus Pai quando do seu brado final e triunfante do alto da cruz: “Abba, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Logo, a expressão da mais absoluta confiança está presente no momento da mais profunda solidão e senso de abandono e desamparo. Eis a fé, como disse Martin Buber, como “adesão a Deus”. Não a uma imagem de Deus, um conceito, uma idéia do divino. Mas uma adesão a Deus, uma adesão que transcende imagens, conceitos, idéias e também sensações e percepções. A fé como adesão a Deus tal qual a adesão de uma criança desmamada no colo de sua mãe: além, ou aquém, da consciência racional, que decodifica e disseca o Senhor como um cadáver sobre a mesa da academia.

Mas, ao mesmo tempo, trata-se de fé como adesão adulta, madura, capaz de transitar além, ou aquém, das sensações e percepções, ciente tão somente de que Deus está, Deus é, e que seus braços acolhem. A oração de uma palavra só, Abba, é pronunciada na mais tenra infância e na mais extrema maturidade. Entre os dois momentos da pronúncia do Abba está a prepotência de quem acredita compreender e manipular o Deus “que habita em luz inacessível”.

Diante do Abba, a oração deixa de ser um arrazoado inteligente, ou uma ladainha de murmurações e súplicas que serão depois catalogadas em colunas de “respondidas na data tal”. Diante do Abba, a oração é mais parecida com um suspiro, um gemido profundo, ou uma efusão de lágrimas; também é semelhante a um salto de alegria incontida, um literal derramar do coração. O Abba é aquele que transcende nossos dogmas, nossos sentidos e nossas manipulações. Mas é aquele que compreende e acolhe o que não dizemos pela simples razão de não sabermos o que dizer, ou como dizer. É aquele que recebe o peso dos nossos corações simultaneamente depositados aos pés da cruz e entregues em suas amorosas mãos, devolvendo ao aflito “a paz que excede a todo o entendimento”.

Caso lhe seja possível compreender a oração com um estar diante daquele a respeito de quem pouco ou quase nada sabemos, exceto que é nosso Abba; se a oração é para você expressar diante dele o que lhe pesa no coração, através de gemidos profundos e um singelo balbuciar Abba, num salto de fé que transporta para além das sensações, percepções e conceitos; ou caso considere que um simples suspiro balbuciando Abba implica a mais profunda e legítima oração, então não apenas você vai orar mais, muito mais, como também – e principalmente – nunca mais será a mesma.


Pr. Ed René Kivitz

FILME E BÍBLIA MOTIVAM JUDOCA BRASILEIRO

“Desafiando Gigantes” e ligação do irmão inspiraram Camilo ao bronze.

Uma ligação. Essa foi a motivação necessária para que Tiago Camilo superasse o holandês Guillaume Elmont e garantisse a medalha de bronze na categoria até 81 quilos. Após a derrota para o alemão Ole Bischof, que acabaria ganhando o ouro, o judoca brasileiro recebeu um contato do irmão, Luís Camilo, responsável por tirá-los dos campos de futebol e levá-lo ao tatame. Era a senha para a recuperação, além da recordação do filme Desafiando os Gigantes (Facing the Giants).

"Fiquei muito triste com a derrota (para o alemão), vi tudo escapando das minhas mãos. No intervalo (entre a derrota para Bischof e as lutas da repescagem) levantei a cabeça e encontrei as respostas. Meu irmão me ligou, lavei o rosto, olhei no espelho e vi que tinha que seguir lutando. Há uma parábola da Bíblia que fala sobre dois fazendeiros que oram a Deus pedindo para chover no campo deles, pois fazia muito tempo que não chovia. Mas apenas um deles preparou a terra para a chuva”, avaliou o judoca.

Responsável pela terceira medalha brasileira em Pequim, feito que deixa o judô à frente da vela como o esporte com mais conquistas olímpicas para o País, Camilo confirmou que as palavras do irmão foram essenciais para buscar a vitória sobre o holandês.

"Ele me disse que a Olimpíada tinha nome e não importava a cor da medalha. A quilômetros de distância eu vi o rosto e ouvi a voz de todos que me empurraram para a vitória", avaliou o atual campeão mundial da categoria. "Eu errei contra o alemão, mas são coisas da luta. Tudo pode acontecer no judô. O importante é a medalha", completou.

Ciente de que a conquista mundial chamaria a atenção dos principais rivais, Camilo buscou aprimorar seu estilo. Mudou alguns golpes e procurou esquecer que era o centro das atenções. No período de preparação para os Jogos, conheceu o filme Desafiando Gigantes, de teórica motivacional, muito usado por treinadores das mais variadas modalidades.

"A sensação de ser medalhista é muito boa. São duas Olimpíadas e duas medalhas ganhas (foi prata em Atenas 2004). Estou muito feliz porque batalhei muito e não deixei de acreditar. Tive momentos difíceis, mas sempre fui à luta", concluiu.

Desafiando Gigantes
“Esse filme me tocou muito”, disse Tiago. “Foi a mãe do João (Derly) que tinha me indicado. Fazia tempo que eu estava com o DVD na mala, mas ele não rodava. Ontem ele rodou”.

E quando Tiago assistiu ao filme, um outro veio à sua mente: o episódio de 2004, quando ele acabou sendo eliminado no momento derradeiro dos Jogos de Atenas ao perder uma seletiva para Flavio Canto de maneira duvidosa. Tiago jamais se conformou com o ocorrido. Foi punido nos segundos finais da luta derradeira, que vencia, por falta de combatividade. A punição acabou custando-lhe a vaga olímpica.

A parábola tem tudo a ver com o que aconteceu nesses últimos quatro anos. Tiago pediu a Deus para que chovesse em sua terra e preparou-se como nunca para este momento. “A vitória não cai do céu, ela vem do céu”, ensina nosso medalhista, que se diz Cristão, mas não seguidor de nenhuma Igreja.

Deus fez chover na terra de Tiago, mas ele quase não aproveitou a chuva. A derrota para o alemão Ole Bischof, na terceira luta, foi um golpe pelo que ele não esperava receber jamais. Isso porque, campeão mundial e eleito o melhor judoca da Copa do Mundo realizada no Rio de Janeiro, no ano passado, Tiago esperava colher uma medalha de ouro. Qualquer outra seria fruto indesejado.

Tiago estava arrasado no vestiário após a derrota. Chorava muito. Foi até a pia lavar o rosto, olhou no espelho, lembrou de todo o esforço dos últimos quatro anos, mas não conseguia encontrar forças para sair do atoleiro em que se encontrava.

Perto a ele estava Nei Wilson, chefe da equipe de judocas do Brasil. O telefone celular de Wilson estava no bolso da calça do agasalho quando tocou. O som era abafado, mas audível. Do outro lado da linha estava Chicão, irmão de Tiago, judoca como ele, que se encontra no Brasil.

“Ele falou muita coisa para mim, dos quatro anos de preparação, da nossa família e das pessoas que estavam acordadas no Brasil torcendo por mim”, contou Tiago. “Depois, me disse que medalha olímpica não tem cor. O que ela tem é nome. Aquilo me tocou muito”.

Tiago voltou ao tatame e chegou à medalha. Queria o ouro, é claro, preparou-se para isso, mas feliz ficou com o bronze. Depois da luta, voltou a falar pelo telefone com o irmão. E agradeceu pelas palavras enviadas pelo celular.

Assim como o misterioso personagem surge de repente e ajuda o técnico Grant Taylor a sair do buraco em que ele se encontrava, Chicão surgiu através do celular do chefe da equipe para ajudar o irmão Tiago a sair do buraco em que estava se enfiando.

Fonte:
Portal Creio
Via Antena Cristã

Legal a motivação do atleta. Mas só uma pergunta, que parábola bíblica é esta que ele cita? Será que minha memória falhou? Tal parábola realmente existe? Se alguém souber, manda um comentário.

VOCÊ É ESCRAVO?

Organizações mundiais de notícias anunciaram há vários anos atrás que, na África, algumas famílias têm vivido em escravidão por tantas gerações que nem estão mais conscientes de que são escravas. Para elas, a escravidão é normal. Os líderes religiosos do tempo de Jesus tinham um problema parecido. Eles viviam em escravidão espiritual, mas não sabiam. Como resultado de uma má interpretação das Escrituras, eles achavam que podiam viver uma vida impecável, perfeita. Eles disseram: Jamais fomos escravos de alguém (João 8.33). Quando Jesus disse a esses líderes religiosos: Todo o que comete pecado é escravo do pecado (João 8.34), eles ficaram muito ofendidos.

Você também pode estar vivendo como um escravo espiritual sem saber. Isso pode ser verdadeiro de várias maneiras. Por exemplo, quando você se vê amando o mundo e acreditando que a Palavra e a vontade de Deus são inconvenientes, isso é um sinal de escravidão espiritual. Se você passa horas assistindo televisão à noite, mas não tem interesse em ler a Bíblia, orar por sua família ou pela obra do Reino de Deus, ou fazer devoções em família, então você está, pelo menos até certo ponto em escravidão espiritual. O diabo está então controlando, pelo menos parcialmente, a sua vida.

O diabo também pode estar escravizando você quando você duvida que Deus cuida de todas as suas necessidades. Você pode estar descontente com a sua casa, sua família ou seu trabalho. Você pode estar esquecendo as promessas divinas de misericórdia e perdão para você em Cristo Jesus.

Da mesma forma se você vê Palavra de Deus basicamente como um livro de instruções religiosas, onde Deus lhe diz o que fazer e o que não fazer, você pode estar em escravidão espiritual. A Bíblia realmente traz instruções para a vida; entretanto, a função básica da Bíblia é trazer-lhe o Evangelho de que em Cristo seus pecados estão perdoados. Sobre as Escrituras o apóstolo João escreve: Estes [sinais] foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Messias, o Filho de Deus. E para que, crendo, tenham vida por meio dele (João 20.31).

Jesus pode estar falando com você da mesma forma que falou com os fariseus apegados à lei quando disse: Vocês estudam as Escrituras Sagradas porque pensam que vão encontrar nelas a vida eterna. E SÃO ELAS MESMAS QUE DÃO TESTEMUNHO A MEU FAVOR" (João 5.39).

Jesus está dizendo aqui que a Bíblia inteira dirige e testifica não sobre leis religiosas, mas sim sobre ele mesmo e o seu perdão (Lucas 24.44-47; João 20.31).

Quando Jesus faz você sair da escravidão de ver a Palavra de Deus apenas como a sua Lei, ele liberta você de sua escravidão ao pecado. Então VOCÊ SERÁ, DE FATO, LIVRE (João 8.36). Jesus transforma você de um escravo do pecado em um filho na casa de Deus para sempre. Não recebestes o espírito de escravidão, para viverdes, outra vez, atemorizados, mas recebestes o espírito de adoção, baseados no qual clamamos: Aba, Pai! (Romanos 8.15).

Como o apóstolo Paulo disse: Assim vocês não são mais escravos; vocês são filhos. E, já que são filhos, Deus lhes dará tudo o que ele tem para dar aos seus filhos (Gálatas 4.7).

(Adaptado Revista Boas Novas 18 p. 27)

pastorfernando@gmail.com / www.igrejaluterana.blogspot.com
Fonte: Jornal de Canela
Via Antena Cristã

CRÔNICAS DE UMA OLÍMPIADA (2)

A história das Olimpíadas não foi escrita apenas com o suor dos atletas. Algumas páginas foram escritas com sangue. Na manhã de 5 de setembro de 1972 uma célula do grupo palestino Setembro Negro invadiu a Vila Olímpica para atentar contra a vida da delegação israelense. Os principais números dos Jogos Olímpicos de Munique não foram os registrados no quadro de medalhas, mas das pessoas mortas, vitimadas pela intolerância: dois atletas, nove reféns, um policial e cinco terroristas.

Outros eventos marcaram a complexa relação entre esporte e ideologia, economia e religião. Em Berlim, 1936, o velocista negro Jesse Owens conquistou quatro medalhas de ouro e expôs ao ridículo as teses nazistas que defendiam a supremacia da raça ariana. Em 1968, o ano não terminou também nos jogos do México. Emoldurados pelos estudantes das ruas de Paris, o AI-5 e a tortura no Brasil, e o assassinato de Bob Kennedy e Martin Luther King Jr., os velocistas americanos Tommie Smith e John Carlos, ouro e bronze dos 200 metros, subiram ao podium e ergueram o punho na saudação típica dos Panteras Negras. Foram expulsos da Vila Olímpica e suspensos pelas autoridades esportivas norte americanas, e somente trinta anos depois receberam a reabilitação oficial. Em 1980, liderados pelos Estados Unidos, 65 países boicotaram as Olimpíadas de Moscou em razão da invasão do Afeganistão pela União Soviética em 1979 (quanta ironia, não?). Quatro anos depois veio a retaliação: os soviéticos lideraram o bloco comunista no boicote dos Jogos em Los Angeles, 1984. Desde então os boicotes aos Jogos fazem sombra ao ideal fraterno e igualitário do Barão Pierre de Coubertin. Nos atuais Jogos de Pequim a discussão gira ao redor de temas como respeito aos direitos humanos e das liberdades individuais (há pelo menos 130 presos políticos na China), censura e liberdade de imprensa, pena de morte, poluição e, principalmente, o Tibete.

O presidente chinês Hu Jintao afirmou que politizar as Olimpíadas não ajuda a resolver essas questões e também viola o espírito olímpico. Mas é inegável que “a visibilidade e o simbolismo dos Jogos Olímpicos lança um holofote sobre quaisquer atividades do país anfitrião e chama a atenção para questões não-esportivas. Conceder os Jogos Olímpicos à China elevou o diálogo internacional a respeito [por exemplo] da situação no Tibete”, conforme nota do Comitê Olímpico Internacional.

Ironicamente, o lema oficial dos Jogos Olímpicos de Pequim, China, 2008 é “um mundo, um sonho”, muito perto da utopia de John Lennon: “nenhum paraíso, nenhum inferno abaixo de nós, e acima, apenas o céu; nenhum país, nada pelo qual matar ou morrer, e sem religião também; nada de posses, sem necessidades para ganância ou fome; apenas uma irmandade de homens, dividindo todo o mundo”.

A verdade é que não é possível ser apolítico: o silêncio pode ser um protesto e um gesto de omissão. Em ambos os casos afetam a realidade, quer para sua transformação, ou sua perpetuação. Fazer política não é uma questão de opção. A opção diz respeito a “como fazer política”. Também não é possível ser ateu, pois todo ato político é um ato utópico, ainda que no podium de uma Olimpíada. Todo ato é um ato político. Toda utopia é um ato de fé.

Por isso nós cristãos oramos: “venha o teu Reino, seja feita a tua vontade, assim nos céus de Pequim (Tbilissi, Washington, Cabul, Bagdá, Brasília...), como nos céus dos céus”.


Pr. Ed René Kivitz

O NOSSO PRIMEIRO OURO EM PEQUIM

César Cielo ganha sua segunda medalha em Pequim. E desta vez é uma medalha de ouro. Não é só nossa primeira medalha de ouro em Pequim, mas também a nossa primeira medalha de ouro na natação em toda história. Cielo torna-se o maior nadador brasileiro em Olímpiadas com as duas que ganhou. Parabéns Cielo!

Quinta-feira, 14 de Agosto de 2008

O VERÃO EM QUE APRENDI A ORAR

Não tinha idéia de que orar de acordo com a Bíblia poderia ser algo tão pessoal.

Eu estava em férias de verão da faculdade onde estudava química e matemática, para ganhar dinheiro e aprender a orar.

Ganhar dinheiro era a parte fácil. A parte da oração era muito mais difícil, especialmente no começo. Um velho amigo, que acabara de se tornar pastor, chegou à cidade e me convidou para orar com ele todas as segundas-feiras à noite.

Inicialmente, não tinha muito que dizer e muitas das minhas orações eram como uma lista de pedidos. Após três semanas, meu amigo sensivelmente sugeriu que na semana seguinte ele começaria a me ensinar a orar.

Em nosso próximo encontro, ele perguntou: “Pelo que iremos orar hoje à noite?”.

Eu havia recebido uma carta de uma jovem a quem darei o nome de Jane. O pastor e eu a conhecíamos. Sua vida era um caos antes de ser salva por Deus. Agora, três anos depois, estava morrendo de câncer e sua expectativa de vida não ia além de poucas semanas. Sua carta era repleta de amargura, dor e medo.

Então como poderíamos orar por ela? “Senhor, cure a Jane?” “Senhor, resgate a Jane do mar da amargura?” Ou quem sabe a oração tradicional: “Senhor, abençoe a Jane?”.
Meu amigo me ajudou a pensar a respeito de todas as opções. Certamente poderíamos pedir que Deus a curasse, assim como os filhos pedem algo a seus pais. Deus poderia curá-la e então deveríamos pedir. Mas Deus não prometeu dar restauração física instantânea a todos que pedissem.

Não haveria algo que poderíamos orar, que estivesse de acordo com as promessas de Deus para seus filhos, algo que poderíamos clamar confiantemente por Jane?

Conforme líamos versículo por versículo, fui confrontado pelo grande número e pela beleza das passagens que prometem que Deus guardará seus filhos e fará com que suas vidas frutifiquem. Podemos permanecer confiantes, “convencidos de que aquele que começou a boa obra em vocês (em nós), vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Filipenses 1.6). Estávamos convencidos de que Deus havia genuinamente começado a “boa obra” na vida de Jane. Agora pediríamos a Deus que mantivesse esta promessa e continuasse a obra.

Muitos outros assuntos vieram à mente para a oração e meu amigo trouxe encorajamento para que eu pensasse de forma bíblica acerca do que deveria orar em cada um dos casos. Lemos passagens nas Escrituras em que encontramos relevância para cada caso. Então oramos por nossa lista, citando as promessas de Deus. Eu estava começando a aprender a interceder diante do trono de Deus.

Isto aconteceu na segunda-feira. Na quinta-feira, recebi uma carta de Jane, escrita na terça-feira pela manhã. Ela havia acordado naquele dia sentindo-se envergonhada por seu sentimento de dúvida e ingratidão. Deus havia resgatado sua vida e, se agora Ele queria levá-la para casa, isso deveria ser o melhor e o mais sábio; portanto ela louvaria a Deus na ida para o céu. A carta inteira era um hino de louvor a Deus. Jane faleceu seis semanas depois.

Dois princípios simples

Trinta anos depois me tornei pastor e eventualmente um professor de pastores. Ao longo do tempo, aprendi mais facetas da oração, incluindo estes momentos intensos quando não sabemos como e nem pelo que orar, mas “o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Sempre retorno às minhas primeiras experiências de orar através das Escrituras.

Lembre-se sempre de:

Reler as orações das Escrituras. Estude-as, guarde-as em sua mente. Perceba sua enorme diversidade e o quanto cada uma delas tem algo importante para dizer. Copie as orações de Moisés, recite os salmos de Davi, medite nas orações de Ana, Neemias, Daniel, guarde a oração do apóstolo Paulo em sua memória.


Por qual motivo esses crentes oravam? Quando oravam? (Durante uma crise? Era parte de sua disciplina diária?) Que formas de adoração utilizavam? Que sentimento estava embutido: a paixão? O amor?

Crescer em conhecimento da mente de Deus. Conforme lemos e relemos a Bíblia, isso nos ajuda a conhecer e amar a Deus e seus ensinamentos, descobrir quais são suas prioridades, conhecer seu caráter e sua vontade para nós.

Jesus nos diz: “Sejam perfeitos como perfeito é o Pai celestial de vocês” (Mateus 5.48). Não deveríamos então orar por santidade e perfeição? Não deveríamos orar para que Deus nos fortaleça e que não nos entreguemos ao pecado? Não deveríamos nos apressar em orar por perdão, certos de que “O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado” (1 João 1.7)?

Oramos por problemas financeiros, pela educação de nossos filhos, por enfermidades, por nossas decepções. Deus, nosso Pai celestial, se importa com todos os aspectos da nossa vida. Mas se nossa oração é sempre voltada para nós mesmos, somos como crianças cujo horizonte é limitado a elas próprias e suas vontades. Devemos também orar ativamente: “Seja feita a tua vontade” (Mateus 6.10).

Aprender as orações da Bíblia afeta a forma como adoramos a Deus em oração e a forma como intercedemos por nós mesmos e pelos outros. Isso transformará nossas orações.

Condensed from Decision (Mar. 1996), © 1996 D. A. Carson. (Cristianismo Hoje)

A FÉ CRISTÃ NA TERRA DAS OLÍMPIADAS (2)

Olhos abertos para a fé
Na segunda reportagem da série sobre a China, o enviado especial de Christianity Today fala sobre a ação crescente dos cristãos no Gigante Asiático.


Com pouco mais de uma semana de viagem, eu me sentia supreendentemente confortável num país culturalmente tão diferente e desafiador quanto a China. Já havia aprendido a me comunicar com os motoristas de táxi, a andar de ônibus pelas cidades e – o mais impressionante – estava até conseguindo me virar nos restaurantes com menus escritos em mandarim. Uma noite, enquanto procurava uma igreja oficial, caí num bueiro destampado bem no meio de uma agitada área de compras da cidade de Taiyuan, na Província de Shanxi. Não me feri com gravidade, e quando levantei, sujo e com algumas escoriações, percebi que um grupo de pessoas formara um pequeno círculo ao redor de mim. Enquanto tentava explicar o que havia acontecido e para onde eu me dirigia, fui conduzido até um carro patrulha. O policial com quem falei ofereceu levar-me até a igreja, e assim o fez.

Este incidente propiciou-me um vislumbre do rápido crescimento da presença cristã naquele país. Viajei para a China com minha câmera fotográfica buscando ampliar minha compreensão sobre a situação do Cristianismo na mais populosa nação do mundo. E de lá retornei com a sensação de que o Espírito de Deus está movendo-se de uma maneira especial entre aquela gente. Quase todos os cristãos que conheci haviam se convertido nos últimos seis meses. Freqüentei tanto igrejas oficiais, que funcionam com a permissão do governo, quanto congregações domésticas clandestinas. Ao contrário do que freqüentemente somos tentados a pensar, as igrejas registradas não são comunidades apáticas ou subservientes ao governo socialista, mas congregações vibrantes e cheias de vida. Em relação às chamadas clandestinas, parece que a designação “igreja escondida”, pela qual por muito tempo foram conhecidas no Ocidente, já não se aplique hoje em dia. Ao contrário – cada vez mais os crentes têm saído à público e os recém-convertidos tendem a movimentar-se com liberdade entre ambos os grupos.

Como reflexo da transformação da economia chinesa, que já se ombreia com a das grandes potências mundiais, a sociedade chinesa está também passando por enormes mudanças. A crescente juventude de classe média está buscando um novo sentido para suas vidas, enquanto que as populações mais maduras anseiam por algo que preencha o vazio deixado pelo abandono das idéias marxistas. Durante a viagem, fiz minha primeira parada numa congregação doméstica em uma grande cidade da China central. Esta igreja havia nascido 15 anos atrás, na sala de estar de uma mulher que chamaremos de Yen. Ela ainda recorda a ligação de seus avós com missionários ingleses. Durante os anos de 1980, o interesse de Yen pela Bíblia cresceu grandemente, fazendo com que ela e sua família começassem uma reunião dominical em seu pequeno apartamento. Rapidamente, o grupo cresceu e, atualmente, Yen e seu marido são os pastores de uma igreja com 800 membros.

Nos domingos pela manhã, a congregação reúne-se no bem iluminado saguão de um imponente edifício público. Os encontros começam com cânticos. Eles então oram pelo governo, pedindo a Deus que conduza as autoridades à prática da justiça. No culto em que estive presente, nove dos muitos curiosos que se debruçavam sobre as muretas do andar de cima para observar acabaram se decidindo por Cristo. Após a reunião, os membros da igreja aproveitaram o domingo para visitar pessoas com debilidades físicas e mentais. É uma atividade comum para eles. Alguns dos membros da igreja chegam mesmo a adotar crianças especiais – algo raro e desafiador no contexto da cultura chinesa.

Refletindo Cristo – Mais tarde, passando pelas periferias de Pequim, visitei uma escola para filhos de trabalhadores migrantes, um segmento que tem crescido na proporção do avanço econômico do país. Só em Pequim, estima-se que haja 5 milhões de migrantes. O estabelecimento foi fundado e é dirigido por cristãos, assim como um orfanato. Embora as instalações fossem bastante modestas para os padrões europeu e americano, as crianças pareciam felizes e bem educadas. Na cidade, conheci ainda um jovem intelectual cujo passo inicial para a fé cristã foram as leituras do filósofo dinamarquês Soren Kierkegaard. Ele hoje está envolvido com a preparação de livros sobre o Cristianismo para o mercado acadêmico. Um outro cristão que conheci, ativista de direitos humanos, trabalhava num caso que visa o estabelecimento da igualdade de tratamento de pessoas deficientes perante as leis chinesas.

Em outra conversa, troquei idéias com um influente economista que descreveu sua convicção de que a fé cristã servia como combustível para a inovação. Para ele, os valores do Cristianismo são um quadro de referência fundamental para a justa utilização dos recursos econômicos de uma nação. Na tarde de outro domingo, fui convidado a subir ao vigésimo oitavo andar de um arranha-céu no coração de Pequim. Ali, no escritório de uma agência de publicidade, jovens profissionais – todos cristãos – realizam cultos de louvor a Deus toda semana.

Há ainda muitas outras iniciativas de cristãos que têm provocado impacto na sociedade chinesa. Uma delas é o Serviço Sempre-Verdejante (Shanxi Evergreen Service), sediado em Shanxi. O curioso nome homenageia o missionário norueguês Peter Torjesen, morto durante um ataque japonês da Segunda Guerra Mundial. Apelidado carinhosamente de Folha Sempre-Verdejante, Torjesen é honrado como mártir pelas autoridades locais. Em 1990, Finn Torjesen obteve autorização oficial para dar continuidade ao trabalho missionário de seu avô. Desde 1993, o Serviço Shanxi Sempre-Verdejante tem conseguido algo quase impossível: é uma entidade oficial chinesa de orientação evangélica, reconhecida pelos serviços filantrópicos que realiza. A instituição ensina técnicas agrícolas a famílias camponesas e disponibiliza recursos para o desenvolvimento comunitário, a educação e o aconselhamento familiar. Comprometidos com a idéia de que o modo como os cristãos podem melhor servir à China é sendo abertos sobre sua fé, seus integrantes estão obtendo resultados bastante expressivos. O serviço resume sua missão em quatro palavras: “Servindo Shanxi, refletindo Cristo”. (Tradução: Leandro Marques)

Famintos por Jesus
Benjamin (nome fictício) é pastor de uma rede de igrejas domésticas urbanas na China. Convertido ao Evangelho em 1993 numa igreja oficial, estudou num seminário nos Estados Unidos e, de volta a seu país, tornou-se um plantador de igrejas. Nesta entrevista, ele fala sobre os desafios do trabalho cristão na China:

CRISTIANISMO HOJE – As autoridades governamentais interferem nas igrejas domésticas urbanas?
BENJAMIN – Desde 2000, a China tem se tornado mais e mais aberta. O governo está ciente de nossa existência. O governo chinês mantém um olho aberto e o outro fechado para a Igreja. Existem propostas de medidas legais para limitar a ação das igrejas domésticas em determinadas regiões, como Shangai. Há cinco anos, medidas similares foram propostas por autoridades em Pequim, mas acabaram não sendo implementadas e o movimento está crescendo sem problemas na capital. Esta nova abertura é uma realidade que ninguém pode subestimar. O Senhor tem nos protegido.

Qual a receptividade dos chineses à pregação do Evangelho?
As pessoas na China estão famintas para aceitar a Jesus. O Espírito Santo já abriu os seus corações. Elas estão correndo para as igrejas. Quando você organiza um encontro evangelístico e pergunta quem deseja receber a Cristo como Salvador, várias pessoas levantam as mãos.

De que maneiras a Igreja está influenciando o país neste momento?
Muitos chineses julgam os cristãos como sendo dignos de confiança. Se eles desejam contratar um funcionário, ou uma babá para cuidar de suas crianças, preferem um cristão. Isso acontece porque os cristãos têm boa reputação aqui. Durante muitas crises provocadas por desastres naturais na China, as igrejas têm se envolvido no trabalho de assistência nas áreas mais carentes, inspirando até mesmo a ação por parte do governo. As igrejas têm tido uma grande influência através do exemplo de boa conduta e moral dos crentes.

Fonte:
Cristianismo Hoje

UM HOMEM OU UM PEIXE?

Com as cinco medalhas de ouro que já conquistou em Pequim, o americano Michael Phelps tornou-se o maior atleta da história de todas as Olímpiadas. Ele já conquistou um total de 11 medalhas de ouro, pois já tinha ganho 6 em Atenas. Temos que admitir, o cara é fera. E ele ainda pode conquistar mais medalhas de ouro em Pequim...

AGORA A MEDALHA VEIO DA PISCINA

Parabéns para César Cielo, a quarta medalha de bronze do Brasil em Pequim. Ele ganhou a medalha na prova dos 100m livres. E ainda tem boas chances no 50m livres.

CIENTISTA ABRAÇA A FÉ CRISTÃ ATRAVÉS DE C.S. LEWIS

Francis Colin, cientista americano premiado e reconhecido pelas suas marcantes descobertas sobre genes na origem das doenças, e pela liderança do Projeto Genoma Humano que visa mapear todo o ADN humano, descreveu sua conversão ao Cristianismo diante de uma platéia internacional na Inglaterra.

"Na verdade não existe conflito entre a fé e a razão", disse Collins ao instituto internacional de Verão da Fundação CS Lewis, a Oxbridge 2008, na Igreja de St. Aldate em Cambridge.

"Como materialista empenhado na faculdade, eu assumia que o físico era tudo quanto existia", contou Collins, que em 1977 aos 27 anos de idade completou uma mudança de carreira - da Química para a Medicina, e tornou-se médico. Diz ele, que isto o fez confrontar-se com a dor e a morte cara-a-cara. "Esta foi uma virada dramática para mim. Os conceitos já não eram mais hipotéticos".

Collins disse que foi de fundamental importância a leitura de "Mere Christianity" de CS Lewis (publicado em português como Mero Cristianismo ou Cristianismo Puro e Simples). O livro teve início com uma série de sermões dados por Lewis em 1943. "Logo nas primeiras páginas, todos os meus argumentos acerca da fé caíram por terra. Foi tremendo... Lewis permanece como o meu melhor docente", disse. Em um ano, Collins tornou-se cristão.

Se você quiser saber mais sobre o autor de "Mere Christianity", acesse a página da
Sociedade Brasileira CS Lewis.

Fonte: Site do Sidney Rezende